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Doença Celíaca

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A doença celíaca é uma condição crônica que afeta principalmente o  intestino delgado, onde há uma intolerância  permanente ao glúten. É considerada uma desordem autoimune, na qual o organismo ataca a si mesmo e os sintomas podem surgir em qualquer idade após o glúten ser introduzido na dieta.
Na Doença Celíaca existe uma reação imunológica tardia (Imunoglobulina G), sendo assim, não pode ser considerada alergia alimentar. A alergia alimentar é uma reação rápida do sistema imunológico que produz anticorpos (Imunoglobulina E) contra alguma substância estranha (antígeno). Os anticorpos  circulantes é que causam a reação alérgica imediata.
O glúten é uma massa viscosa e elástica que permanece após lavagens exaustivas da farinha de trigo, centeio, cevada, aveia e malte. Este possui duas frações protéicas chamadas de gluteninas e prolaminas (gliadina, avenina, secalina e hordeína, respectivamente, no trigo, aveia, centeio e cevada). Estas combinadas com água e força mecânica formam esta massa viscosa que é o glúten.
O glúten, é uma proteína que tem gerado polêmica entre os especialistas em nutrição humana. Há quem defenda que ele pode se tornar prejudicial para o organismo de qualquer pessoa e não apenas para quem sofre de doença celíaca. Isto até pelo fato do excesso no consumo de alimento que o contêm e também até pelo stress que acomete a maioria da população.
A Doença Celíaca é uma patologia que atinge um em cada 214 paulistanos - de acordo com dados divulgados pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com base em uma amostra de 3 mil voluntários, sendo mais incidentes entre as mulheres.

 

CAUSAS

 

A Doença Celíaca geralmente se manifesta na infância, entre o primeiro e o terceiro ano de vida (Na introdução de alimentação à base de papinhas engrossadas com cereais proibidos, com bolachas, pão, sopinhas de macarrão...), podendo surgir em qualquer idade, inclusive no adulto.
É uma das doenças mais comuns de base genética, visto que 97% dos indivíduos celíacos possuem marcadores genéticos no cromossomo 6p21, denominado de antígeno leucocitário humano classe II (HLA).
Portadores de Diabetes tipo I, doença auto imune de tireóide, Síndrome de Willians, Síndrome de Turner apresentam maior risco de ter a Doença Celíaca.

COMO ACONTECE

 

atualidade 3A má digestão do glúten pode causar sérios problemas intestinais, pois bactérias e fungos que vivem ali consumirão esse alimento fermentado para obter energia e se multiplicar. Em excesso, esses micro organismos são prejudiciais e causam um desequilíbrio da flora intestinal. Esta proteína mal digerida também se aloja na mucosa intestinal causando inflamações que levam a microfissuras na parede do intestino delgado favorecendo a permeabilidade intestinal (facilidade da passagem de moléculas inteiras para corrente sanguínea). Estas alterações nas células do epitélio intestinal podem levar a neoplasia.
Outra conseqüência decorrente é o efeito “opioide like” causado pela gluteomorfina, elemento derivado do glúten que ao atingir o sistema nervoso central, faz com que a pessoa se torne cada vez mais viciada no consumo deste alimento.

 

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SINTOMAS

 

Os sintomas mais comuns são dores abdominais, diarréia, excesso de gases intestinais, dores de cabeça, fadiga, irregularidade no ciclo menstrual. Podem ocorrer anemia ou osteoporose pela má absorção de cálcio, ferro e ácido fólico.
Menos freqüente pode ocorrer à dermatite herpetiforme, com irritação de pele (vermelhidão) e formação de bolhas nos cotovelos e joelhos.
A perda de peso também é um sintoma que deve ser considerado, pois devido à má absorção de nutrientes e as freqüentes diarréias o emagrecimento acontece.


 
EXAMES SOLICITADOS PARA DIAGNÓSTICO

 

Antigamente era solicitado o exame de anticorpo anti-gliadina, porém atualmente dá-se preferência ao anticorpo anti-endomísio ou anti-transglutaminase tecidual que são mais sensíveis  e específicos para  a doença. Porém, é fundamental o laudo anátomo-patológico proveniente da análise da biópsia duodenal que mostrará atrofia da mucosa e aumento das criptas. O diagnóstico se baseia nesses dois exames.
A classificação Marsh é feita histologicamente (microscópica) do estado da mucosa intestinal no que se refere à Doença Celíaca. Ela leva em conta o grau de atrofia e a presença de células inflamatórias. Sua graduação vai de 0 (normal) a 3 (3a, 3b, 3c). O estágio 3c significa atrofia total.
Mesmo no grau mais avançado de atrofia pode haver regressão para o normal com a dieta sem glúten.
A biópsia de controle não deve ser feita antes de 2 anos. O processo de regeneração total da mucosa é lento e pode levar até 3 anos.

 

DOENÇAS ASSOCIADAS

 

- Enxaqueca;
- Manifestações reumáticas; 
- Alergia Alimentar;
- Candidíase;
- Doença de Crohn;    
- Baixo crescimento;
- Doenças Inflamatórias intestinais;
- Manifestações neurológicas;
- Dermatite Atópica;
- Alterações Hepáticas;
- Osteoporose;  
- Psoríase;
- Anemia.

 

 
TRATAMENTO

 

A principal terapia é a nutricional com a exclusão dos alimentos que contém o glúten. Isto é muito difícil uma vez que grande parte dos alimentos, principalmente industrializados são feitos com os cereais que contêm glúten. Portanto é fundamental a verificação na rotulagem para se certificar da isenção na composição nutricional.  A lei federal nº 10674, de 2003, determina que todas as empresas que produzem alimentos  precisam INFORMAR obrigatoriamente em seus rótulos  se aquele produto    “CONTÉM GLÚTEN” ou "NÃO CONTÉM GLÚTEN”.

 
ALIMENTOS QUE PODEM SER CONSUMIDOS

 
- Cereais: arroz, milho, trigo sarraceno, quinua;
- Farinhas: mandioca, de banana, de soja, arroz, milho, fubá, araruta, féculas, mandioquinha, cará, inhame, polvilho;
- Gorduras: óleos vegetais, margarinas;
- Sementes oleaginosas: castanhas, nozes, amêndoas;
- Frutas: todas, ao natural e sucos;
- Hortaliças e leguminosas: folhas, cenoura, tomate, vagem, feijão, soja, grão de bico;
- Ervilha, lentilha, cará, inhame, batata, mandioca e outros;
- Carnes e ovos: aves, suínos, bovinos, caprinos, miúdos, peixes, frutos do mar.

 

CUIDADO

 
- Laticínios como leite, manteiga, queijos e derivados. Normalmente a lactose é "quebrada" pela ação de uma enzima chamada lactase, a qual é produzida nas células intestinais. Como na DC existe um dano na célula intestinal, a produção de lactase fica prejudicada e, como conseqüência, há dificuldade na absorção da lactose;
- Qualquer quantidade de glúten, por mínima que seja, é prejudicial para o celíaco;
- Leia com atenção todos os rótulos ou embalagens de produtos industrializados e, em caso de dúvida, consulte o fabricante;
- Não use óleos onde foram fritos empanados com farinha de trigo ou farinha de rosca (feita de pão torrado);
- Não engrosse pudins, cremes ou molhos com farinha de trigo;  
- Tenha cuidado com temperos e amaciantes de carnes industrializados, pois muitos contêm glúten;
- Não utilize as farinhas proibidas para polvilhar assadeiras ou formas;
- Lembre que bebidas como: whiski, cerveja não podem ser consumidas, pois contêm malte e cevada.

 

DICA

 

Uma das causas da doença celíaca pode ser a exposição recente do recém-nascido à alimentos potencialmente alergênicos. A amamentação protege a criança predisposta. A introdução de alimentos ricos em glúten antes dos quatro meses de idade aumenta o risco. Por romper a integridade da mucosa, a ocorrência de infecções intestinais, como aquelas causadas pelos rotavírus, também aumenta o risco na infância. É óbvio que o primeiro passo para chegar ao diagnóstico é o médico lembrar que a doença existe.